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Use a ciência para tratar a depressão.

Atualizado: Mar 3

Desde o início do século passado, psicólogos e psicanalistas tentaram explicar o porquê de algumas pessoas ficarem deprimidas. Com base em suas teorias, tentou-se bolar diversas intervenções. Uma delas foi a psicanalítica, que não deu muito certo e não se sustentou devido a recusa dos psicanalistas a testarem suas teorias.



Outros esforços para compreender a depressão surgiram, mas o maior insight a respeito do tema foi de Aaron Beck, ao lançar o livro “Depression: Causes and Treatment”, em 1972.


Nesse modelo, Beck hipotetizou que uma das principais causas da depressão estava naquilo que ele chamou de viés cognitivo ou erros cognitivos, que seriam pensamentos irracionais ou exagerados a respeito das coisas.


Beck notou que pacientes deprimidos tendiam a perceber quase que exclusivamente o lado negativo de si mesmos: “eu fracasso em tudo”, do mundo: “a vida não vale a pena” ou do futuro: “o futuro será horrível”.


Era quase como se os pacientes olhassem para a realidade a partir de lentes que os faziam enxergar tudo de forma negativa.





Essa teoria foi testada e posta a prova através de inúmeros experimentos realizados com pacientes deprimidos, e o resultado revelou que Aaron Beck estava certo, pois de fato existe essa tendência em pessoas com depressão. (fonte)



Pessoas com depressão tendem a interpretar suas experiências através de conclusões negativas ou vendo somente o lado ruim, enquanto que pessoas que não tem o transtorno, tendem a interpretar as mesmas situações de forma mais realista, ou enxergar algo positivo nas suas experiências.


O que tudo isso significa?


Se pessoas com depressão tendem a ter pensamentos errôneos, isso significa que se você está deprimido, existe uma grande chance de você também ter esses pensamentos.


Faça o teste! Responda as perguntas abaixo:


1- O que eu penso sobre mim?

2- O que eu penso sobre o mundo, ou sobre os outros?

3- O que eu penso a respeito do meu futuro?


Se suas respostas para essas perguntas forem majoritariamente negativas, é provável que sua mente esteja apresentando o viés cognitivo.


Sua mente está selecionando tudo o que acontece de ruim na sua vida e te cegando para as coisas boas.


Para entender melhor, imagine que o nosso cérebro é como uma câmera que grava informações do mundo ao nosso redor, nossos pensamentos são como as lentes dessa câmera, que “filtra” nossas experiências, fazendo alguns aspectos do mundo, como “problemas e fracassos”, se destacarem, enquanto que outros aspectos positivos, como “conquistas e sucesso”, são eliminados.


O que fazer a respeito?


A verdade é que, acreditar em algo não o transforma em realidade.



Se ficares repetindo várias vezes por dia que você é um elefante rosa, acreditarias nisso? Mesmo que sim, isso faria de você um elefante rosa? Existe uma diferença entre sua crença e o fato da realidade?





Da mesma forma, se você acredita nos pensamentos de que “é um fracassado”, que “não é bom o suficiente” ou que “é incapaz”, isso torna esses pensamentos verdadeiros só porque você acreditou neles? Não necessariamente, não é?


Só porque sua mente lhe diz coisas ruins não significa que essa seja a realidade.


Os nossos pensamentos negativos só nos deixam tristes quando acreditamos neles.


Por que acreditamos em nossos pensamentos?


Se um amigo seu te disser que ladrões entraram em sua casa, destruindo-a completamente e roubando tudo de lá, mas, no entanto, ao chegar em casa, você a encontra inteira e sem nenhum rastro de destruição ou furto, você ainda acreditaria no seu amigo? Claro que não!


Então, o que te faria acreditar nessa história?



Você acreditaria na história se a sua casa estivesse arrombada, destruída e com pertences roubados, ou seja, se você encontrasse indícios ou evidências que apoiam a narrativa do seu amigo.


Da mesma forma, nós acreditamos em nossos pensamentos, quando achamos que eles representam a verdade sobre as coisas.



Como foi revelado por Aaron Beck, quando estamos com depressão, nós temos pensamentos que “achamos” ser verdadeiros, mas que se avaliarmos bem, são em grande parte exageros ou deturpações da realidade.


Para combater a depressão é necessário que você questione a veracidade de seus pensamentos negativos. Você precisa deixar de acreditar neles ou de levá-los a sério.


Exercício de modificação de pensamentos negativos:


Preencha o espaço em branco abaixo com um atributo negativo:


Eu sou ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀.


Após preencher o espaço, quero que respondas às seguintes indagações:


“O tempo todo? Com todo mundo? Em todas as situações? Existem exceções? Existem indícios que contradigam essa afirmação? Quais são?”


Aja como um juiz no tribunal, tentando encontrar a verdade de todas as afirmações.


Fazendo as perguntas certas, você descobrirá que as conclusões que você faz sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre seu futuro, são muito simplistas, e possuem diversos erros:


Erro nº 1 - Generalização: As pessoas deprimidas tendem a generalizar demais os aspectos negativos de sua experiência. Se alguma coisa sair errado, elas tendem a pensar que “tudo dá errado”.


Erro nº 2 - Pensamento “preto e branco”: É típico de indivíduos deprimidos. Pode estar associado a perfeccionismo, inatividade e uma sensação de inutilidade. Por exemplo: eu não posso fazer isso perfeitamente, então não farei nada - sou um fracassado. Basicamente, ou tudo está bom ou tudo está ruim, não existe meio termo, é tudo ou nada.



Existem diversos outros erros cognitivos, mas só queríamos ilustrar como nossos pensamentos podem nos enganar, mesmo que pareçam convincentes.


Você deve ter entendido onde queremos chegar. A única forma de mudarmos nossos pensamentos tendenciosos é através da avaliação realista dos mesmos.



Nossos pensamentos, quando deprimidos, são simplistas e ignoram boa parte das informações.


Assim, a nossa mente faz conclusões muito limitadas das coisas e nós acabamos sendo consumidos por essas visões de mundo.


Através desse tipo de treino cognitivo e psicolinguístico é possível mudar esse condicionamento e, assim, melhorar muito a nossa vida e o nosso humor.


Se você tiver interesse em tratamentos baseados em evidências, entre em contato conosco ou visite a nossa página de serviços.




Referências:


Dobson, D., & Dobson, K. S. (2018). Evidence-based practice of cognitive-behavioral therapy. Guilford Publications.


Friedman, E. S., & Thase, M. E. (2006). Cognitive-Behavioral Therapy for Depression and Dysthymia.


https://www.div12.org/diagnosis/depression/


https://link.springer.com/article/10.1023/A:1021936427625

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